| Rio Grande do Sul e Uruguai são moradas do até então quase desconhecido Trairão do Sul |
As traíras são consideradas por biólogos e pescadores os peixes mais genuínos da América do Sul. Presentes da Venezuela à Argentina, habitam todas as bacias hidrográficas do leste que deságuam no Atlântico. Vivem em todo tipo de curso de água doce imaginável e mesmo em alguns locais de água salobra. Extremamente populares, não faltam relatos, fotos e vídeos na internet mostrando como é simples pescá-las. Em qualquer lugar próximo de casa, mesmo em centros urbanos, lá estão elas, com seus dentes afiados e aquele olhar de "cão bravo do brejo". Na região sul do continente, o que inclui o Rio Grande do Sul, o Uruguai e o noroeste da Argentina, as traíras estão entre os peixes mais procurados, seja por sua agressividade, pelo sabor de sua carne ou ainda pelas histórias de longas e belas pescarias feitas nas fazendas do sul, em arroios, riachos, açudes, represas e barragens. Isso vale tanto para o verão, época em que as pescarias certamente são mais fáceis e fartas, quanto para o inverno. A espécie mais conhecida e presente ao longo da América do Sul é Hoplias malabaricus, a traíra comum. Na região Norte, há também o afamado trairão amazônico, Hoplias macrophtalmus, fisgado a partir do norte do Mato Grosso. O que pouca gente sabe é que existe um outro trairão, esse presente nos rios da Bacia do Prata, cuja espécie se chama Hoplias lacerdae. Mostraremos, a seguir, os resultados de uma intensa pesquisa teórica e prática que revela um pouco mais sobre este fascinante predador de nossas águas.
 |